Tendinite no ombro: sinais, cuidados e Fisioterapia

Espaço de Fisioterapia do LIV para tratamento da dor no ombro

Tendinite no ombro é o nome popular da tendinopatia do manguito rotador, uma das causas mais comuns de dor no ombro. Ela costuma provocar dor no ombro e na parte de cima do braço, que piora ao levantar o braço e, muitas vezes, à noite. As diretrizes atuais indicam o exercício orientado, com acompanhamento da Fisioterapia, como primeira opção de tratamento.

O que é a tendinite no ombro

O manguito rotador é um grupo de quatro músculos cujos tendões envolvem a articulação do ombro e ajudam a mantê-la estável durante os movimentos do braço.

O termo “tendinite” sugere inflamação, mas a literatura científica atual prefere “tendinopatia”, que descreve melhor as alterações no tendão. A diretriz de prática clínica publicada em 2025 no Journal of Orthopaedic & Sports Physical Therapy (JOSPT) reúne nesse diagnóstico:

  • a tendinopatia com ou sem calcificação (a chamada tendinite calcária);

  • as rupturas parciais do tendão;

  • os quadros conhecidos como síndrome do impacto ou dor subacromial.

Segundo a mesma diretriz, os problemas do manguito rotador respondem por mais da metade dos casos de dor no ombro.

Sinais e sintomas mais comuns

De acordo com materiais do serviço público de saúde do Reino Unido (NHS) e da Harvard Health Publishing, os sinais mais frequentes são:

  • dor dentro e ao redor do ombro, que pode descer pela parte de cima do braço;

  • dor que piora ao usar o braço acima da altura do ombro, como ao pentear o cabelo ou pegar algo no alto;

  • dor à noite, especialmente ao deitar sobre o ombro afetado, que pode atrapalhar o sono;

  • sensação de fraqueza ao levantar ou girar o braço.

Quem tem mais risco

O problema é comum entre os 35 e os 75 anos, segundo o NHS, e a Harvard Health Publishing aponta aumento do risco a partir dos 40. Entre os fatores associados estão:

  • Esportes com o braço acima da cabeça: tênis, vôlei e natação, segundo a Academia Americana de Cirurgiões Ortopedistas (AAOS). Gestos como o saque e o smash, presentes também no beach tennis, envolvem esse tipo de movimento.

  • Trabalho repetitivo ou com carga: tarefas que exigem o braço elevado por muito tempo.

  • Histórico de lesão no ombro e medo de movimentar o braço, segundo a diretriz do JOSPT.

Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico costuma ser clínico, feito com base na conversa e no exame físico. A diretriz do JOSPT indica que, no início do tratamento, exames de imagem geralmente não são necessários para confirmar o problema. Eles passam a ser considerados quando não há melhora após cerca de 12 semanas de tratamento adequado, com a ultrassonografia como primeira opção. A decisão sobre exames cabe ao médico.

Tratamento da tendinite no ombro: o papel da Fisioterapia

Exercício como base do tratamento

A diretriz do JOSPT de 2025 recomenda, com o grau mais alto de evidência, um programa de exercícios ativos, com foco em controle do movimento e fortalecimento. Na Fisioterapia, esse programa é montado após a avaliação e ajustado conforme a resposta de cada pessoa.

Terapia manual

Técnicas manuais podem ser usadas junto com os exercícios para aliviar a dor no curto prazo, segundo a mesma diretriz. Uma revisão Cochrane de 2016 (Page e colaboradores) observou que a evidência sobre terapia manual e exercício ainda tem qualidade limitada, o que reforça o uso como complemento, e não como tratamento isolado.

Infiltração

A infiltração com corticoide, indicada e realizada pelo médico, pode reduzir a dor no curto prazo, mas a diretriz do JOSPT não a recomenda como primeira opção.

E a cirurgia?

Em 2019, um painel internacional publicado no BMJ fez uma recomendação forte contra a cirurgia de descompressão subacromial em adultos com dor no ombro há mais de três meses, sem trauma. A recomendação se baseou em estudos como o CSAW (Reino Unido) e o FIMPACT (Finlândia), nos quais a cirurgia não trouxe vantagem importante em relação a uma cirurgia simulada. Rupturas causadas por trauma são outra situação e precisam de avaliação ortopédica.

Terapia por Ondas de Choque

A diretriz do JOSPT indica que a Terapia por Ondas de Choque pode ser usada na tendinopatia calcária, quando há depósitos de cálcio no tendão confirmados por exame, e não recomenda o uso na forma sem calcificação. Em uma revisão de 2020, o cálcio foi completamente reabsorvido em parte dos ombros tratados (Wright e colaboradores). Por isso, ela é considerada um complemento ao programa de exercícios, e a indicação depende de cada caso.

Cuidados no dia a dia e volta ao esporte

  • Ajuste a carga, sem parar tudo: reduzir temporariamente os movimentos que mais provocam dor costuma ser mais útil do que imobilizar o braço.

  • Siga o programa de exercícios: a regularidade faz parte do tratamento.

  • Observe o sono: se deitar sobre o ombro piora a dor, vale testar outras posições.

  • Volte ao esporte de forma gradual: a diretriz do JOSPT recomenda que o retorno seja decidido com base na capacidade e na tolerância à carga, avaliadas pelo fisioterapeuta.

O tempo de recuperação varia bastante. Segundo a AAOS, pode levar de semanas a vários meses, e cada caso deve ser acompanhado individualmente.

Quando procurar um profissional

Vale buscar avaliação quando a dor no ombro não melhora em algumas semanas, atrapalha o sono ou limita o trabalho e o esporte.

Procure atendimento médico com urgência, segundo o NHS e a AAOS, se houver:

  • perda súbita de força depois de uma queda ou de um esforço, com estalo ou dor intensa;

  • dificuldade para mexer o braço, deformidade ou inchaço no ombro;

  • febre, formigamento persistente ou perda de sensibilidade no braço.

Dor ou aperto no peito que se espalha para o braço esquerdo, com suor frio, falta de ar ou mal-estar, pode ser sinal de infarto. Nesse caso, ligue imediatamente para o SAMU (192), conforme orienta o Ministério da Saúde.

Como o LIV pode ajudar

No LIV, o cuidado com a dor no ombro começa com uma avaliação individual na Fisioterapia Ortopédica e Esportiva, que considera sua rotina, seu trabalho e o esporte que você pratica. O plano tem como base os exercícios orientados e, quando há indicação, pode incluir terapia manual e a Terapia por Ondas de Choque, além do acompanhamento do retorno ao tênis, ao beach tennis ou à natação. Conheça a nossa equipe no Jardim Europa, ao lado do Esporte Clube Pinheiros.

Perguntas frequentes

Tendinite no ombro pode ser tratada sem cirurgia?

Na maioria dos casos sem trauma, o tratamento costuma começar sem cirurgia. As diretrizes atuais recomendam começar pelo exercício orientado, e os estudos não mostraram vantagem importante da cirurgia de descompressão nesses casos.

Por que a dor no ombro piora à noite?

É comum que a dor da tendinopatia piore à noite, principalmente ao deitar sobre o ombro afetado. Ajustar a posição para dormir pode ajudar, e a persistência do sintoma merece avaliação.

Preciso fazer ressonância?

Nem sempre. O diagnóstico costuma ser feito no exame físico, e a imagem é considerada principalmente quando não há melhora com o tratamento. A decisão cabe ao médico.

Ondas de choque funcionam para tendinite no ombro?

A diretriz do JOSPT indica que podem ser usadas na tendinopatia calcária, como complemento aos exercícios. Na forma sem calcificação, o uso não é recomendado.

Posso continuar jogando tênis ou beach tennis?

Depende da avaliação. Muitas vezes, a orientação é ajustar a intensidade e o volume de jogo enquanto o tratamento avança, com retorno gradual definido pelo fisioterapeuta.

Agende sua avaliação

Sente dor no ombro ao levantar o braço? Fale com o LIV pelo WhatsApp e agende uma avaliação.

Este conteúdo é informativo e não substitui a avaliação de um profissional de saúde.

Fontes

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