A Fisioterapia na prevenção de lesões atua antes que a dor apareça: avalia como você se movimenta, identifica pontos que merecem atenção e orienta exercícios e uma progressão de treino adequados ao seu esporte. Pesquisas de boa qualidade mostram que programas de exercício bem estruturados, sobretudo de fortalecimento muscular, podem reduzir de forma importante o risco de lesões esportivas.
Neste artigo, explicamos o que os estudos mostram, quais hábitos fazem diferença e como funciona uma avaliação preventiva.
Por que pensar em prevenção, e não só em tratamento
Quem corre, joga tênis ou beach tennis sabe que uma lesão pode interromper semanas ou meses de treino. Os números ajudam a entender o tamanho da questão.
Corrida: uma revisão de estudos encontrou, em média, 7,7 lesões a cada 1.000 horas de corrida entre corredores recreacionais e 17,8 entre iniciantes (Videbæk e colaboradores, 2015).
Tênis: os estudos apontam de 0,04 a 3,0 lesões a cada 1.000 horas de jogo. As lesões agudas são mais comuns nos membros inferiores, e as crônicas, nos membros superiores, como ombro e cotovelo (Pluim e colaboradores, 2006).
Beach tennis: as pesquisas ainda são poucas, mas indicam queixas frequentes em ombro, cotovelo, joelho e pé, como tendinopatias e entorses.
Prevenir não significa evitar o esporte. Significa preparar o corpo para a demanda que ele vai enfrentar e ajustar o treino com critério.
O que a ciência mostra sobre exercício e prevenção de lesões
Uma das análises mais citadas sobre o tema reuniu 25 estudos clínicos, com mais de 26 mil participantes. O risco de lesão foi cerca de 37% menor entre quem fez programas de exercício preventivo (Lauersen, Bertelsen e Andersen, 2014, British Journal of Sports Medicine).
Treino de força: o protagonista
Na mesma análise, o fortalecimento muscular teve o maior efeito: as lesões caíram para menos de um terço. As lesões por sobrecarga, que surgem aos poucos pela repetição do gesto esportivo, caíram quase pela metade com os programas de exercício.
O Ministério da Saúde recomenda que adultos façam fortalecimento muscular em pelo menos dois dias por semana, além da atividade aeróbica, e que aumentem a quantidade e a intensidade aos poucos.
Um cuidado importante na leitura dos estudos
A maior parte dessas pesquisas foi feita com atletas jovens e esportes coletivos. Para adultos que praticam corrida, tênis ou beach tennis, os princípios são os mesmos, mas os resultados podem variar. Por isso, cada programa deve ser ajustado à pessoa, ao esporte e ao momento de vida.
Carga de treino: o “quanto” e o “quando” importam
Muitas lesões não acontecem por um único movimento, mas por um aumento de carga maior do que o corpo está preparado para receber.
O consenso do Comitê Olímpico Internacional sobre carga de treino (Soligard e colaboradores, 2016) destaca que aumentos bruscos de uma semana para outra elevam o risco de lesão. O documento sugere progressão gradual e individualizada, citando como referência aumentos semanais pequenos, abaixo de 10%.
Um estudo publicado em 2025, que acompanhou mais de 5 mil corredores com idade média de 46 anos, trouxe um dado prático:
quando um único treino passou mais de 10% da maior distância percorrida nos 30 dias anteriores, o risco de lesão por sobrecarga foi cerca de 1,6 vez maior;
quando essa distância foi mais que o dobro, o risco foi cerca de 2,3 vezes maior.
Em outras palavras: aquele “longão” muito acima do habitual merece planejamento. Esses números são referências de pesquisa, não regras fixas, e o ajuste ideal depende de cada pessoa.
Como funciona a avaliação preventiva na Fisioterapia
A Fisioterapia Esportiva é uma especialidade reconhecida pelo COFFITO (Resolução nº 337/2007), que inclui entre suas atribuições a prevenção de lesões e a análise dos fatores que predispõem a elas em cada modalidade.
Na prática, uma avaliação preventiva costuma incluir:
Conversa sobre histórico e rotina: lesões anteriores, esportes praticados, frequência e volume de treino, objetivos e provas planejadas.
Avaliação física: força, mobilidade, equilíbrio e controle do movimento.
Análise do gesto esportivo: como você corre, aterrissa de um salto ou executa o saque, por exemplo.
Plano individual: exercícios de fortalecimento e controle motor, orientações de progressão de carga e frequência de reavaliação.
Vale saber: nenhum teste isolado consegue prever com precisão quem vai se lesionar (Bahr, 2016). A avaliação serve para identificar pontos que merecem atenção, registrar uma referência para comparações futuras e orientar o treino com mais segurança.
Hábitos que ajudam na prevenção de lesões no dia a dia
Aquecimento ativo: movimentos que preparam articulações e músculos para o gesto do esporte.
Fortalecimento regular: pelo menos duas vezes por semana, com orientação profissional.
Progressão gradual: evitar saltos grandes de volume ou intensidade, especialmente após pausas.
Variedade de estímulos: combinar o esporte principal com força, mobilidade e equilíbrio.
Recuperação: sono adequado, alimentação e dias de descanso fazem parte do treino (veja o artigo sobre recovery do atleta amador).
Atenção aos sinais do corpo: dores que persistem ou mudam o seu jeito de se movimentar merecem avaliação.
Quando procurar um profissional
Vale buscar uma avaliação quando:
você vai começar um esporte novo ou voltar a treinar depois de uma pausa;
está se preparando para uma prova ou competição;
já teve lesões e quer reduzir a chance de que se repitam;
sente desconforto que se repete após os treinos ou que dura mais de alguns dias;
percebe mudanças na forma de correr, saltar ou jogar para compensar algum incômodo.
Como o LIV pode ajudar
No LIV, a Fisioterapia com foco em Prevenção de Lesões começa por uma avaliação individual, que considera o seu esporte, o seu histórico e os seus objetivos. A partir dela, a equipe monta um plano de exercícios e acompanhamento adequado ao seu momento. Estamos no Jardim Europa, ao lado do Esporte Clube Pinheiros, o que facilita conciliar o cuidado com a rotina de treinos.
Perguntas frequentes
Preciso ir ao fisioterapeuta se não estou com dor?
Não é obrigatório, mas pode ser uma boa decisão. A avaliação preventiva identifica pontos de atenção antes que virem lesão e ajuda a planejar o treino com mais segurança.
Quanto posso aumentar a distância da corrida por semana?
Não existe um número único para todos. As pesquisas sugerem aumentos graduais e cuidado com treinos muito acima do habitual. O ideal é ajustar a progressão com um profissional.
Depois dos 40 anos ainda vale a pena investir em prevenção?
Sim. O fortalecimento muscular é recomendado para adultos de todas as idades, e a prevenção ajuda a manter o esporte como parte da rotina por mais tempo.
Agende sua avaliação
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Este conteúdo é informativo e não substitui a avaliação de um profissional de saúde.
Fontes
Lauersen JB, Bertelsen DM, Andersen LB. The effectiveness of exercise interventions to prevent sports injuries. British Journal of Sports Medicine, 2014.
Thorborg K e colaboradores. Effect of specific exercise-based football injury prevention programmes. British Journal of Sports Medicine, 2017.
Petushek EJ e colaboradores. Comparative effectiveness of common anterior cruciate ligament injury prevention programs. American Journal of Sports Medicine, 2019.
Yeung SS, Yeung EW, Gillespie LD. Interventions for preventing lower limb soft-tissue running injuries. Cochrane, 2011.
Soligard T e colaboradores. How much is too much? IOC consensus statement on load in sport and risk of injury. British Journal of Sports Medicine, 2016.
University of Southern Denmark. How much running is too much? Identifying high-risk running sessions. British Journal of Sports Medicine, 2025.
Videbæk S e colaboradores. Incidence of running-related injuries per 1000 h of running. Sports Medicine, 2015.
Pluim BM e colaboradores. Epidemiology of tennis injuries. British Journal of Sports Medicine, 2006.
Bahr R. Why screening tests to predict injury do not work. British Journal of Sports Medicine, 2016.
Ministério da Saúde. Guia de Atividade Física para a População Brasileira, 2021.
