A Fisioterapia para dor no joelho começa com uma avaliação que busca a provável origem do problema e segue com um programa de exercícios ajustado à pessoa e às suas atividades. Diretrizes internacionais colocam o exercício orientado e a educação no centro do tratamento das causas mais comuns, como a dor na frente do joelho e a artrose. Vale procurar avaliação quando a dor persiste por algumas semanas ou limita o dia a dia.
Principais causas de dor no joelho
Segundo o serviço público de saúde do Reino Unido (NHS), entre as causas mais comuns estão entorses e distensões, tendinopatias, lesões de menisco ou de ligamentos, artrose e bursite. Em adultos ativos, três situações aparecem com frequência.
Dor na frente do joelho (dor patelofemoral)
É a dor ao redor ou atrás da patela, que costuma piorar ao agachar, subir e descer escadas, correr ou saltar. Um consenso internacional de pesquisadores (Crossley e colaboradores, 2016) descreve que o diagnóstico é clínico e que o quadro pode se prolongar quando não é bem conduzido.
Uma revisão de 2018 estimou que cerca de 23% das pessoas têm esse tipo de dor ao longo de um ano, com frequência maior em mulheres (29%) do que em homens (16%). Os estudos usam definições diferentes, então os números são aproximados.
Artrose (osteoartrite)
A artrose é uma das principais causas de dor no joelho a partir da meia-idade. Segundo o estudo Global Burden of Disease, cerca de 595 milhões de pessoas tinham artrose em 2020, e o joelho é a articulação mais afetada. A diretriz britânica NICE indica que, a partir dos 45 anos, com dor ligada à atividade e rigidez matinal curta, o diagnóstico pode ser clínico, sem necessidade de exame de imagem.
O joelho de quem corre
Em corredores, o joelho é o local mais frequente de lesões nos membros inferiores, segundo uma revisão publicada no British Journal of Sports Medicine. A mesma revisão aponta lesão anterior como um fator de risco importante, o que reforça o valor de tratar bem o primeiro episódio.
Para quem corre ou joga beach tennis, a volta ao ritmo habitual costuma ser gradual, com ajustes de volume, intensidade e frequência definidos a partir da evolução dos sintomas. No artigo sobre prevenção de lesões, explicamos por que aumentos bruscos de carga merecem atenção e como progredir o treino com mais segurança.
Quando procurar a Fisioterapia para dor no joelho
Vale buscar uma avaliação fisioterapêutica quando a dor:
dura mais de algumas semanas ou volta com frequência;
atrapalha escadas, agachamentos, caminhadas ou o esporte;
aparece sempre depois de correr, saltar ou jogar tênis e beach tennis;
persiste depois de uma entorse ou lesão, já avaliada pelo médico;
faz você mudar o jeito de andar ou evitar movimentos.
Como funciona a Fisioterapia para dor no joelho
Avaliação
O fisioterapeuta conversa sobre a história da dor, a rotina e as atividades, e avalia força, mobilidade e controle do movimento do joelho e também do quadril. Quando faz sentido, observa gestos como agachar, saltar ou correr. Na maioria dos casos, não é preciso ter um exame de imagem para começar.
Exercícios para quadril e joelho
Para a dor patelofemoral, o consenso internacional de 2018 (Collins e colaboradores) recomenda exercícios para quadril e joelho para reduzir a dor no curto, médio e longo prazo, e indica que o programa combinado é preferível a exercícios só para o joelho.
O mesmo consenso aponta que palmilhas podem ajudar no curto prazo e que bandagens e terapia manual podem ser usadas junto com os exercícios. Já o uso de aparelhos de eletroterapia não é recomendado pelo consenso para esse quadro.
Na artrose de joelho
As diretrizes da Osteoarthritis Research Society International (OARSI, 2019) e do NICE colocam como base do tratamento:
educação sobre a condição e o autocuidado;
exercício estruturado e individualizado, como fortalecimento, atividade aeróbica e equilíbrio;
controle de peso, quando indicado. O NICE destaca que qualquer perda de peso ajuda e que uma redução de 10% tende a trazer resultados melhores.
Uma revisão Cochrane de 2024, com 139 estudos e mais de 12 mil participantes, mostrou que o exercício pode melhorar a dor e a função em comparação com nenhum tratamento. O efeito médio foi moderado, o que reforça a importância de um programa bem ajustado e mantido ao longo do tempo.
E as lesões de menisco?
Em joelhos com desgaste, incluindo lesões degenerativas de menisco, um painel internacional publicado no BMJ em 2017 fez uma recomendação forte contra a cirurgia por artroscopia. Nesses casos, o tratamento conservador, com exercícios, costuma ser o caminho inicial. Lesões causadas por trauma são outra situação e precisam de avaliação ortopédica.
Cuidados com o joelho no dia a dia
Mantenha-se ativo: em geral, ajustar a carga funciona melhor do que parar tudo.
Progrida aos poucos: aumente volume e intensidade de treino de forma gradual.
Fortaleça quadril e coxas: com orientação profissional, de forma regular.
Observe os sinais: dor que aumenta de um dia para o outro indica que a carga precisa ser revista.
Cuide do peso, se indicado: com acompanhamento médico e nutricional.
Quando procurar um profissional com urgência
Procure atendimento médico rapidamente, segundo o NHS, se houver:
dor muito forte ou impossibilidade de apoiar o peso na perna;
inchaço grande ou alteração do formato do joelho;
joelho quente e vermelho, com febre;
estalo no momento da lesão, joelho que trava ou que falseia.
Depois de uma queda ou trauma, o médico avalia, com critérios clínicos, a necessidade de radiografia.
Como o LIV pode ajudar
No LIV, a Fisioterapia Ortopédica e Esportiva começa com uma avaliação individual do seu joelho, da sua rotina e do esporte que você pratica, seja corrida, tênis ou beach tennis. O plano tem como base os exercícios orientados e pode seguir, quando fizer sentido, no Pilates individual ou em dupla, para manter a força e o controle do movimento. Estamos no Jardim Europa, ao lado do Esporte Clube Pinheiros.
Perguntas frequentes
Quando a dor no joelho precisa de avaliação?
Quando dura mais de algumas semanas, volta com frequência ou limita atividades como escadas e esporte. Dor intensa, inchaço grande, febre ou joelho que trava pedem atendimento médico rápido.
A Fisioterapia ajuda na artrose de joelho?
Pode ajudar. As diretrizes internacionais colocam o exercício orientado e a educação como base do tratamento da artrose. O plano é individual e ajustado ao longo do tempo.
Preciso de ressonância antes de começar?
Na maioria dos casos, não. O diagnóstico das causas mais comuns costuma ser clínico. Quando há suspeita de lesão importante, o médico decide sobre exames.
Posso continuar correndo ou jogando beach tennis?
Depende da avaliação. Muitas vezes, a orientação é ajustar o volume e a intensidade enquanto o tratamento avança, em vez de parar completamente.
Lesão de menisco precisa de cirurgia?
Nem sempre. Em lesões degenerativas, as diretrizes recomendam começar pelo tratamento conservador. Lesões por trauma devem ser avaliadas por um ortopedista.
Agende sua avaliação
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Este conteúdo é informativo e não substitui a avaliação de um profissional de saúde.
Fontes
Crossley KM e colaboradores. 2016 Patellofemoral pain consensus statement, part 1. British Journal of Sports Medicine, 2016.
Collins NJ e colaboradores. 2018 Consensus statement on exercise therapy and physical interventions to treat patellofemoral pain. British Journal of Sports Medicine, 2018.
Smith BE e colaboradores. Incidence and prevalence of patellofemoral pain: a systematic review and meta-analysis. PLOS ONE, 2018.
GBD 2021 Osteoarthritis Collaborators. Global, regional, and national burden of osteoarthritis, 1990–2020 and projections to 2050. The Lancet Rheumatology, 2023.
Bannuru RR e colaboradores. OARSI guidelines for the non-surgical management of knee, hip, and polyarticular osteoarthritis. Osteoarthritis and Cartilage, 2019.
Wood G e colaboradores. Osteoarthritis in people over 16: diagnosis and management — updated summary of NICE guidance. BMJ, 2023.
Lawford BJ e colaboradores. Exercise for osteoarthritis of the knee. Cochrane, 2024.
Siemieniuk RAC e colaboradores. Arthroscopic surgery for degenerative knee arthritis and meniscal tears: a clinical practice guideline. BMJ, 2017.
van Gent RN e colaboradores. Incidence and determinants of lower extremity running injuries in long distance runners: a systematic review. British Journal of Sports Medicine, 2007.
NHS. Knee pain, 2023.
