A dor lombar é a principal causa de incapacidade no mundo e, na maior parte dos casos, não tem uma causa única identificável. A Fisioterapia, com exercícios orientados, educação sobre a dor e terapias manuais, está entre as abordagens recomendadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Com a atualização da NR-1, o cuidado com a saúde no trabalho, incluindo fatores ergonômicos e psicossociais, também ganhou espaço na pauta das empresas.
Dor lombar: um problema comum que merece atenção
Segundo o estudo Global Burden of Disease, publicado em 2023 na revista The Lancet Rheumatology, cerca de 619 milhões de pessoas tinham dor lombar em 2020. A projeção é de 843 milhões em 2050, principalmente pelo crescimento e envelhecimento da população.
A OMS informa que a dor lombar é mais comum em mulheres e que os casos atingem o pico entre 50 e 55 anos.
No Brasil, o impacto aparece também no trabalho. Em 2025, a dorsalgia foi a principal causa de afastamento temporário por doença, com mais de 237 mil casos, seguida das lesões de disco da coluna, com mais de 208 mil, segundo dados do Ministério da Previdência Social divulgados pela Agência Brasil. Foi o terceiro ano seguido em que problemas de coluna lideraram a lista.
Principais causas da dor lombar
Cerca de 90% dos casos são chamados de dor lombar inespecífica, ou seja, sem uma doença ou lesão específica que explique o sintoma (OMS). Causas específicas, como fraturas, infecções ou tumores, são raras. Em um estudo na atenção primária citado pela série da revista The Lancet sobre o tema, elas responderam por menos de 1% dos casos.
Isso não significa que a dor não seja real. Significa que ela costuma resultar de vários fatores ao mesmo tempo:
Estilo de vida: pouca atividade física, tabagismo e excesso de peso.
Trabalho: esforço físico intenso, posturas mantidas por muito tempo e pouca variação de movimento.
Fatores psicológicos e sociais: estresse, insatisfação com o trabalho e medo de se movimentar podem influenciar a persistência da dor (Hartvigsen e colaboradores, 2018).
Por isso, as diretrizes internacionais não recomendam exames de imagem de rotina na dor lombar sem sinais de alerta. O exame costuma ser solicitado pelo médico quando há uma suspeita específica.
Como a Fisioterapia trata a dor lombar
Em dezembro de 2023, a OMS publicou sua primeira diretriz sobre o manejo não cirúrgico da dor lombar crônica, aquela que dura mais de três meses. Entre as intervenções que podem ser oferecidas estão:
programas de exercício;
educação estruturada e orientações de autocuidado;
terapias manuais, como manipulação da coluna e massagem;
abordagens que consideram aspectos físicos, psicológicos e sociais em conjunto.
A mesma diretriz indica que recursos como tração, cintas e coletes lombares não devem ser oferecidos de rotina. A OMS também ressalta que a maior parte das recomendações se baseia em evidências de certeza baixa, o que reforça a importância da avaliação individual.
O papel do exercício
Uma revisão Cochrane de 2021, com 249 estudos e mais de 24 mil participantes, concluiu que o exercício reduz a dor e a incapacidade na dor lombar crônica em comparação com nenhum tratamento ou com o cuidado usual. Nenhum tipo de exercício se mostrou claramente superior aos demais, o que abre espaço para escolher o que faz mais sentido para cada pessoa.
Como costuma ser o tratamento
Avaliação: história da dor, rotina, trabalho, atividade física e exame físico.
Educação sobre a dor: entender o que está acontecendo reduz o medo de se movimentar.
Exercícios progressivos: fortalecimento, mobilidade e controle do movimento.
Terapias manuais: quando indicadas, como complemento aos exercícios.
Retorno gradual às atividades: trabalho, esporte e tarefas do dia a dia.
A importância do acompanhamento da Fisioterapia
A série da revista The Lancet sobre dor lombar (Foster e colaboradores, 2018) aponta que as diretrizes recomendam manter-se ativo, retomar as atividades normais e fazer exercício. Na prática, porém, ainda há uso excessivo de repouso, exames de imagem e procedimentos invasivos.
O acompanhamento fisioterapêutico ajuda a:
ajustar os exercícios conforme a evolução;
dar segurança para voltar a se movimentar;
adaptar a rotina de trabalho e de atividade física;
construir autonomia para que a pessoa saiba cuidar da coluna no dia a dia.
Quando procurar um profissional
A maior parte das dores lombares melhora com o tempo e com movimento orientado. Vale buscar avaliação fisioterapêutica quando a dor:
dura mais de algumas semanas ou volta com frequência;
limita o trabalho, o sono ou as atividades do dia a dia;
faz você evitar movimentos por medo de piorar.
Procure atendimento médico com prioridade quando houver, por exemplo, perda progressiva de força nas pernas, dormência na região genital ou alteração no controle da urina ou das fezes, febre associada à dor, dor após queda ou trauma, ou dor intensa que não melhora com o tratamento (Ministério da Saúde, 2022).
Como o LIV pode ajudar
No LIV, o cuidado com a dor lombar começa com uma avaliação individual na Fisioterapia Ortopédica, que considera sua rotina, seu trabalho e seus objetivos. O plano pode combinar exercícios, terapias manuais e orientações para o dia a dia e, quando fizer sentido, o Pilates individual ou em dupla como continuidade. Estamos no Jardim Europa, ao lado do Esporte Clube Pinheiros. Empresas que desejam conversar sobre o cuidado com a saúde de seus colaboradores também podem entrar em contato.
Perguntas frequentes
Dor lombar precisa de exame de imagem?
Na maioria dos casos, não. As diretrizes recomendam exames apenas quando há sinais de alerta ou suspeita de uma causa específica. Essa decisão cabe ao médico, após avaliação.
Repouso ajuda na dor lombar?
O repouso prolongado não é recomendado. Manter-se ativo, dentro do possível, e retomar as atividades de forma gradual costuma ser a orientação das diretrizes internacionais.
Exercício ajuda na dor lombar crônica?
Sim. Uma revisão Cochrane com mais de 24 mil participantes mostrou que o exercício pode reduzir a dor e a incapacidade. O tipo de exercício deve ser escolhido de acordo com a avaliação e as preferências de cada pessoa.
A NR-1 obriga a empresa a oferecer Fisioterapia?
Não. A NR-1 exige o gerenciamento dos riscos ocupacionais, incluindo os ergonômicos e psicossociais. Programas de saúde, como o acesso à Fisioterapia, podem complementar o plano de ação, mas não são uma exigência da norma.
Agende sua avaliação
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Este conteúdo é informativo e não substitui a avaliação de um profissional de saúde.
Fontes
GBD 2021 Low Back Pain Collaborators. Global, regional, and national burden of low back pain, 1990–2020. The Lancet Rheumatology, 2023.
Organização Mundial da Saúde. Low back pain (ficha informativa), 2023.
Organização Mundial da Saúde. WHO releases guidelines on chronic low back pain, 2023.
Hartvigsen J e colaboradores. What low back pain is and why we need to pay attention. The Lancet, 2018.
Foster NE e colaboradores. Prevention and treatment of low back pain: evidence, challenges, and promising directions. The Lancet, 2018.
Hayden JA e colaboradores. Exercise therapy for chronic low back pain. Cochrane, 2021.
Ministério da Saúde e UFRGS. Protocolos de Encaminhamento da Atenção Primária — Ortopedia Adulto, 2022.
Agência Brasil. Doenças afastaram 4,1 milhões de trabalhadores de suas funções em 2025, 2026.
Ministério do Trabalho e Emprego. NR-1 — Disposições Gerais e Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (texto atualizado).
Ministério do Trabalho e Emprego. Perguntas e respostas sobre GRO/PGR, 2026.
Ministério do Trabalho e Emprego. Manual do GRO/PGR da NR-1, 2026.
